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Top 15: Os Melhores Filmes de 2009

21/02/2010

Ok, posso estar roubando um pouco aqui. Sei que no título está escrito Top 15, mas eu farei uma seleção de 30 filmes, só que os 10 primeiros colocarem em ordem alfabética deixando somente como menção honrosa, pois são filmes que eu admito suas grandes qualidades, só não funcionaram tanto para mim quanto os primeiros, ou simplesmente porque eu gostei muito dos filmes, e não cabem 30 filmes em um Top 15.

Sei que devo estar um pouco atrasado com essa lista, faz quase dois meses que 2009 acabou, porém filmes bons que saíram no final de 2009 geralmente demoram para chegar aqui em deus me livre do sul, tanto que vários filmes aqui foram assistidos por mim em 2010, então tive que esperar um pouco. Lógico que existem muitos filmes de 2009 que eu não vi ainda, então pode ser que essa lista mude em algum tempo, mas chegou um momento em que, considerando os filmes que eu tinha grandes expectativas, me senti confortável com ela o suficiente para postar aqui.

Algumas considerações antes de começar, eu tenho que confessar que eu considerei durante muito tempo declarar empate técnico entre os 2º e 3º lugar, porque realmente não sabia em que ordem deixar. Mas finalmente deixei uma que já estava na minha cabeça, e acho que é bem apropriada. Outra coisa sobre o ano de 2009 em filmes, acho que vai ser lembrado na história como um dos melhores anos para animação de todos os tempos. Só aqui citadas serão 4, fora pelo menos umas 3 ou 4 que me falam muito bem e que eu não tive a oportunidade de ver ainda. Além de animações, foi um excelente ano para ficção científica, que teve quase unanimemente 4 grandes filmes, todos citados aqui nessa seleção.

Sem mais demoras, apresento aqui minhas menções honrosas:

Arraste-Me Para o Inferno (Drag Me To Hell, Sam Raimi): Marca o retorno de Sam Raimi ao terror, e não decepciona. Não, não é tão bom quanto nenhum filme da trilogia The Evil Dead, e possui sim vários problemas com o roteiro. Mas tudo que não me impressionou em Raimi como roteirista, ele mostrou em genialidade na direção. Quando esse filme é bom, ele é muito bom. E tem, na minha opinião, a melhor trilha sonora de terror de todos os tempos.

Atividade Paranormal (Paranormal Activity, Oren Peli): Talvez o resultado mais criativo em fotografia do uso da câmera estilo documentário. Não é um filme que vai te dar 5 sustos gratuitos por segundo, é um filme que evita trivialidades e faz um trabalho excelente com construção de tensão ao longo do filme, e dois atores que trabalham belamente para trazer realismo às suas personagens.

Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, Henry Sellick): Não tão bom quanto O Estranho Mundo de Jack, e usa de certo dispositivos comuns de narrativa, mas é com certeza um filme muito empolgante, bonito de se ver, e com uma história que é em momentos até bastante instigante.

Eu Te Amo, Cara (I Love You Man, John Hamburg): Mais um grande filme com dois dos melhores atores de comédia trabalhando hoje, Paul Rudd e Jason Segel. Os dois formam uma grande dupla, ajudando a contar uma história que pode se acomodar em clichês de vez em quando, mas é certamente eficiente e engraçada. Destaque para a cena que eles tocam Rush na garagem.

O Fantástico Sr. Raposo (Fantastic Mr. Fox, Wes Anderson): Muitos consideram essa a melhor animação do ano. Eu não concordo, mas ainda assim acho um ótimo filme. Tem um roteiro muito interessante, com vários exemplos do humor característico de Wes Anderson, e um grande trabalho de stop-motion, que não considero tão bonito quanto o de Coraline, mas muito bem feito, e usado em alguns momentos de maneiras muito interessantes.

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, Greg Mottola): Do diretor de Superbad, esse filme não é metade tão engraçado que o seu anterior, mas tem pelo menos o dobre de sua carga emocional. Não vá assistir esperando uma comédia de rachar de rir, vá esperando um drama com um ótimo senso de nostalgia, e com vários momentos engraçados.

A Fita Branca (Das Weisse Band, Michael Haneke): Grande filme que mostra de forma crua uma história bem carregada de um vilarejo na Áustria pré primeira guerra mundial. Filmado todo em preto e branco, lindamente devo dizer, possui possivelmente a melhor fotografia do ano, com algumas cenas de tirar o folêgo. Não entrou na lista principal simplesmente porque algo na forma como a história foi contada não bateu comido, mas é um filme com imensas qualidades.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, David Yates): Pode ter cometido alguns erros no caminho, como falta de emoção em momentos críticos, ou detalhes pouco explicados, porém certamente se enquadra entre os bons filmes da franquia, sendo o primeiro a fazer uma boa construção dos personagens, e a realmente te fazer se conectar com eles.

Julie & Julia (Julie & Julia, Nora Ephron): Filme leve, divertido, e com atuações surpreendentes. Uma das minhas atrizes preferidas, a sempre excelente Amy Adams, um grande trabalho de Stanley Tucci, e a, na minha opinião, melhor performance feminina do ano, por Meryl Streep.

Mary e Max (Mary and Max, Adam Elliot): Segunda melhor animação do ano. Filme australiano pouco conhecido apesar de dubladores bem famosos, que foi injustiçado no oscar ao não ganhar uma indicação à melhor animação. Animação adulta com uma história que está o tempo todo nos fazendo pensar, com alguns eventos bem imprevisíveis.

Preciosa (Precious: Based On the Novel “Push” By Sapphire, Lee Daniels): Apesar de eu ser uma das pessoas que não vê todas as qualidades que deram a esse filme, eu tenho que mencioná-lo aqui baseado em suas performances, que são realmente incríveis. Gabourey Sidibe e Mo’nique realmente mereceram suas indicações ao oscar.

Se Beber, Não Case! (The Hangover, Todd Phillips): Melhor comédia pura e simples desde O Virgem de 40 Anos. Não mereceu ganhar o globo de ouro para melhor filme de comédia ou musical, mas não mereceu por pouco. Possui boas performances de quase todos os atores, e uma história que te faz rir literalmente sem parar. Sinto que Bradley Cooper ganhará muito mais trabalhos a partir de agora.

Sherlock Holmes (Sherlock Holmes, Guy Ritchie): Como é bom ver Guy Ritchie voltar à boa forma, acho que tinha algo com a Madonna que estava diminuindo a qualidade do trabalho dele. Uma química invejável entre os protagonistas Robert Downey Jr. e Jude Law, um papel bem apropriado para Rachel McAdams, uma das melhores direções de arte do ano, e diálogo rápido e divertido, fazem de Sherlock Holmes entretenimento de primeira.

Vigaristas (The Brothers Bloom, Rian Johnson): Um dos filmes mais subestimados do ano, e provavelmente a minha menção honrosa que mais chegou perto de entrar na lista principal. Grandes performances dos sempre excelentes Adrien Brody, Mark Rufallo e Rachel Weisz, e uma história muito divertida e ao mesmo tempo com muito conteúdo, com personagens que definitivamente ficam na memória.

Watchmen (Watchmen, Zack Snyder): Zack Snyder conseguiu adaptar uma história que muitos consideravam inadaptável para o cinema, e faze-la funcionar como um filme. Muitas cenas bonitas de ver, com uma trilha sonora que foi muito questionada, mas que eu realmente gostei. Melhor adaptação direta de uma história em quadrinhos que eu vejo, possivelmente desde Sin City.

Terminadas as menções honrosas, começamos a contagem dos (na minha opinião) 15 melhores filmes de 2009:

15# Lunar (Moon, Duncan Jones):

Um dos grandes da ficção científica de 2009. Tem uma história muito boa, apesar de apresentar alguns elementos comuns, e tem seu ponto alto certamente na fantástica atuação de Sam Rockwell. Não tenho dúvidas que ele devia ter sido indicado ao Oscar por esse papel, e quando vocês verem o filme você vai entender exatamente o porquê. Segundo filme de Duncan Jones, e eu nem vi o primeiro, mas posso dizer já que esse inglês tem futuro. Adorei também as referências a 2001: Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968), e a forma como elas foram tratadas ao longo do filme para que não ficasse algo batido. Destaque também para Kevin Spacey fazendo a voz do robô. Vejam esse filme.

14# Anticristo (Antichrist, Lars Von Trier):

A nova obra do mestre Lars Von Trier é talvez um dos filmes mais injustamente criticados do ano, sendo acusado de sensacionalista ou pretensioso. É na verdade um drama que usa brilhantemente de metáforas, simbologias, e referências religiosas e psicológicas para falar sobre a culpa sentida por uma mãe diante da perda de um filho. Conhecido por filmes chocantes e densos, esse é talvez o filme mais chocante que Lars já fez, com cenas de grande violência, mas nunca gratuita. Charlotte Gainsbourg faz um trabalho estelar, que merecia não somente uma indicação, como o prêmio do Oscar de melhor atriz. Estruturado de forma capitular, como já feito anteriormente por Von Trier, o prólogo desse filme é ainda até esse dia uma das cenas mais bonitas que eu já vi na minha vida.

13# Avatar (Avatar, James Cameron):

Sim, a história é roubada de Pocahontes ou Dança Com Lobos, ou qualquer outra dessas fontes que conseguimos achar, porém ninguém pode discutir que esse filme é uma experiência visual majestosa. O que mais impressiona creio que seja o nível de detalhamento que cada pequena coisa no mundo de Pandora tem, como plantas, animais, os Na’Vi, tudo que levou anos de produção, e que definitivamente compensaram. Sem comentar nas inovações em efeitos especiais e formas de utilizar a tecnologia 3D, que foram enormes. E, como nenhum filme sobrevive só de efeitos especiais, é sim um filme divertido, com uma direção de arte que o faz brilhar, apesar de suas fraquezas de roteiro. Não vai mudar a forma como filmes são feitos, como havia a expectativa antes de o filme ser lançado, mas vai ficar na história como um dos grandes marcos na forma de fazer efeitos visuais.

12# Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, Peter Jackson):

É possível que esse seja o filme da minha lista que eu mais consigo apontar defeitos e detalhes que podiam ter sido feitos de uma forma melhor, mas eu posso dizer que eu vou assistir Um Olhar Do Paraíso ainda muito mais vezes na minha vida do que muito filme que eu achei impecável. Um dos filmes mais criticados do ano, entendo um pouco de onde vem essas idéias, mas não consigo achar justo. A história é maravilhosa, e as cenas do paraíso são de tirar o fôlego, não exatamente pela qualidade de efeitos especiais que nem sempre é tão boa assim, mas por como tudo foi desenhado, pela criatividade e originalidade visual desse filme, usada sempre em prol de algum sentimento que o diretor quis passar. Impossível comentar desse filme sem falar da performance perturbadora de Stanley Tucci, que realmente da arrepios, a atuação delicada de Saorsie Ronan, que apesar de alguns pontos mais fracos, consegue transmitir grande emoção, e a fotografia magistral que é um dos pontos altos do filme. Vejo esse filme como um experimento de Peter Jackson, que pegou mais uma vez um livro chamado “inadaptável” e usou sua imaginação, e como pode acontecer com experimentos, as vezes falham, mas quando sucedem, o fazem com muito mais beleza, devido aos riscos que foram tomados, e eu sou uma das poucas pessoas que acham que Um Olhar Do Paraíso sucede mais do que falha.

11# Zumbilândia (Zombieland, Ruben Fleischer):

O meu deus, o quanto eu esperei por um filme como Zumbilândia. Só eu que acho comédia com zumbis um dos melhores gêneros do mundo e não entendo porque não existem milhares de filmes assim? Seguindo os passos de Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004), embora não tão bem construído, possui uma premissa até mais interessante. Todo o elenco muito bem escolhido, até Jesse Eisenberg, que geralmente, aqui inclusive, faz somente uma imitação de Michael Cera (as vezes até melhor que o próprio Michael Cera), encaixou no papel. Woody Harrelson está sensacional como Tallahassee, e é a personificação exata de com quem você deveria fazer amizade em um mundo pós-apocalíptico. Talvez eu seja um pouco suspeito para falar desse, já que eu pessoalmente me identifiquei tanto com ele, tanto com alguns personagens como com alguns elementos gerais do filme, mas é sim um grande filme, que é em sua maioria uma comédia bem original, mas em momentos faz alguma mudanças para algo mais emocional, e funciona também nessas parte. Assistam, entretenimento garantido.

10# Distrito 9 (District 9, Neil Blomkamp):

Segunda melhor estréia diretorial do ano. Diretor revelado por Peter Jackson, foi escolhido após fazer uma série de curtas para promover o lançamento do jogo Halo 3. Com o roteiro escrito pelo próprio Neil Blomkamp, Peter Jackson deicidiu produzir, e o resultado foi sem dúvida melhor do que o esperado. E eu tenho que dizer que para um orçamento tão abaixo do que é geralmente usado em filme do gênero, o trabalho em efeitos especiais e maquiagem aqui é bem impressionante. Além disso, não temos só a estréia de Neil Blomkam como diretor de longas, temos também a estréia de Sharlto Copley como ator de longas, que também é igualmente impressionante, traz seu personagem para lados não imagináveis inicialmente, e poderia sem injustiça ter sido indicado ao Oscar de melhor ator. O roteiro é talvez um dos mais interessantes em ficção científica, trazendo um ponto de vista de alienígenas ainda não usado, fazendo um tipo apartheid entre humanos e aliens. Espero grandes coisas de Blomkamp.

9# Um Homem Sério (A Serious Man, Ethan Coen e Joel Coen):

Os irmãos Coen finalmente ganharam seu Oscar em 2008 por Onde Os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Men, 2007), porém foi em 2009 que eles fizeram, na minha opinião, o seu melhor filme talvez dos últimos 13 anos. Um Homem Sério é daquele tipo de filme que se você ir esperando uma narrativa linear rigidamente construída você pode sair não satisfeito, mas se você simplesmente curtir a jornada e aceitar a mensagem que está sendo passada e o tema que está sendo abordado, você provavelmente irá perceber a grande originalidade e destreza que essa história tem. Tenho que confessar que eu não estava nem um pouco animado para esse filme, e era um das poucas pessoas a ter achado o trailer bem fraco, mas o filme em si destruiu todos os meus preconceitos. O elenco todo trabalha muito bem, principalmente Michael Stuhlbarg como protagonista. Grande filme, com um final que vai provavelmente te deixar atordoado.

8# Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, Spike Jonze):

Admito que esse realmente não é o tipo de filme que vai fazer milhões de dólares no cinema, não é um filme para todos. E eu fico feliz que Spike Jonze teve a chance de fazer esse filme do jeito que ele queria, porque não é a história infantil que todos esperariam baseado no material de onde foi tirado, é na verdade uma história muito profunda com diversos aspectos e interpretações que podem ser tiradas dali. Trata de um tema que de algumas formas até me lembrou o meu filme preferido de 2008, o filme sueco Deixa Ela Entrar, que de certa forma trata dos problemas enfrentados no final da infância, ganho de maturidade e perda de certos tipos de inocência. O mais interessante talvez seja observar como o garoto interage com esses monstros, e como os monstros interagem entre si, representando vários aspectos da forma que o menino Max enxerga o mundo e as pessoas em sua vida. Também interessante o jeito como a história progride, mostrando um mundo perfeito criado, e depois mostrando esse mundo sofrendo todos os mesmos problemas encontrados na realidade. Muito bonito filme, com algumas das cenas mais emocionais do ano.

7# Star Trek (Star Trek, J. J. Abrams):

Pensar em Star Trek me faz lembrar de quanto devemos a J. J. Abrams por tanta coisa boa essa década, desde séries como Felicity, Alias, Lost e Fringe, como filmes como Missão Impossível III (que é quase tão bom, se não mais que o original) e Cloverfield. E no topo disso tudo, Star Trek se sobressai talvez como seu melhor trabalho até hoje. Eu não acho que fãs ou não fãs da série original Star Trek esperava que esse filme fosse tão bom quanto foi. Um elenco de nível muito difícil de se achar em filmes de ficção científica/ação, Chris Pine, Zachary Quinto, Simon Pegg, Karl Urban e Anton Yelchin estão perfeitos em seus papéis. O roteiro possui partes excelentes, tanto como alguns pequenos problemas, principalmente relacionado ao vilão, mas que são quase ofuscados por uma grande direção de Abrams, que mostra que ainda tem muitas coisas boas para nos trazer, fazendo um filme que surpreendeu todos, e se tornou um dos maiores entrenimentos em cinema do ano.

6# Educação (An Education, Lone Scherfig):

Esse é outro filme que muitos realmente não esperavam muita coisa, e se tornou uma das melhores surpresas de 2009. Eu por outro lado, por algum motivo, estava muito animado para ver desde a primeira vez que eu vi o trailer. Não só porque o trailer mostrou que ali tinha uma grande história a ser contada, mas também porque Peter Sarsgaard e Alfred Molina são basicamente excelentes em tudo que eles fazem, e principalmente porque o roteiro foi escrito pelo mesmo cara que escreveu a história de Alta Fidelidade (High Fidelity, 2000), que é um filme que eu gosto muito. Mas mal sabia eu que, com esses dois grandes atores ali, o ponto alto do filme seria essa atriz que até então não era tão conhecida, chamada Carey Mulligan. Ela encarna essa personagem de um jeito que poucas conseguiriam, fazendo ao mesmo tempo um trabalho correto e coerente, e fazendo você se apaixonar por essa menina, com um “quê” meio de Audrey Hepburn. Alfred Molina e Peter Sarsgaard fazem como de costume excelentes trabalhos, e a diretora faz um trabalho realmente perto do impecável na condução desse filme, ainda espero revê-lo muitas vezes.

5# Guerra Ao Terror (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow):

Novo filme de guerra de Kathryn Bigelow, diretora que andava meio sumida com seus filmes nos últimos ano não ganhando muito espaço criticamente e publicamente. Na minha opinião, é o favorito para levar o Oscar de melhor filme esse ano. Eu não sou muito fã de filmes de guerra geralmente, mas esse é simplesmente sensacional. O nível de tensão que ele constrói nas cenas, que é maior não nas cenas com mais ação, mas nas cenas silenciosas onde William James está tentando desarmar uma bomba, ou nas partes no deserto onde um grupo de soldados espera pacientemente a aparição dos inimigos para poder escapar de lá com segurança. Direção espetacular de Kathryn Bigelow, para mim a melhor do ano. E o mais interessante ainda é que, mesmo sendo contado na ocupação dos EUA no Iraque, o filme não fala sobre aspectos políticos ou históricos dessa guerra propriamente, mas fala sobre guerra em si, e a relação que os soldados tem com ela, de forma que a mesma história poderia ser transferida para qualquer guerra que ela quisesse. Todo o elenco trabalha muito bem aqui, mas um destaque enorme para Jeremy Renner, que destrói nesse filme, uma das melhores interpretações por um homem do ano, talvez somente abaixo de Jeff Bridges e Christoph Waltz.

4# 500 Dias Com Ela ((500) Days of Summer, Marc Webb):

Essa é provavelmente a escolha mais controversa aqui, mas eu não consigo falei o quanto eu adorei esse filme. Ouvi tanto que esse é um filme superestimado e igual a muitos filmes por aí, mas eu não acho que as pessoas percebem o quanto demanda talento fazer certos elementos artísticos e dispositivos alternativos de narrativa funcionarem e fluírem bem em uma comédia romântica. Nomeio esse a melhor estréia diretorial do ano, de Marc Webb, antes diretor de videoclipes. A sensibilidade com que ele conta essa história é impressionante, história essa que fala diretamente com o espectador de uma forma verdadeira e crua, como poucas vezes vi uma história de romance fazer. Impossível falar desse filme sem comentar a química entre os protagonistas, Joseph Gordon Levitt que é excelente ator e que terá uma carreira impressionante, tenho certeza, e Zooey Deschanel, que talvez se torne uma das novas queridinhas de Hollywood depois desse filme, mas que é para mim uma das atrizes mais subestimadas na indústria faz anos. Desde a primeira cena preta com a nota do autor, até os créditos finais, esse filme tem toda a minha atenção e devoção, toda a vez que eu assisto.

3# Amor Sem Escalas (Up In The Air, Jason Reitman):

O que dizer mais sobre Jason Reitman. De todos os diretores que lançaram seu primeiro filme na última década, é o meu preferido, e a partir de hoje todos os filmes novos dele serão um dos mais esperados do ano por mim. É impressionante como ele tem um talento de pegar uma história que pode parecer comum, com um gênero de filme que pode parecer batido, mas contá-la da forma mais original possível, fazendo todos os filmes dele sentirem como um sopro de ar fresco. Amor Sem Escalas é seco, e quando parece que vai tomar um rumo mais romântico, toma um rumo dificilmente esperado. Pode parecer um filme um pouco distante à primeira vista, mas certamente gruda na sua cabeça até depois da primeira assistida, e todas as suas mensagens e modos como ele pode ser interpretado habitam nossos pensamentos por um tempo. George Clooney e Anna Kendrick fazem muito bons trabalhos, mas quem realmente brilha aqui é Vera Farmiga que, junto com a direção de Reitman, te traz de volta para dentro do filme sempre que parece que você vai sair. Vai e deve ganhar o Oscar de melhor roteiro adaptado, sem dúvida um dos melhores roteiros do ano. Nota mental: nunca mais disconfiar de Jason Reitman.

2# Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, Quentin Tarantino):

Quentin Tarantino é um gênio. Eu falo isso mesmo não achando À Prova de Morte (Death Proof, 2007) um grande filme, e mesmo achando Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) um pouco superestimado. E ainda assim não imaginava por um segundo que Bastardos Inglórios teria todas as qualidades que tem. Não é um filme perfeito, tem problemas, mas diante da grandeza das suas qualidades não acho que cabe discutir seus defeitos. Tarantino conduz um filme que às vezes tem cenas de mais de 15 minutos, de pessoas simplesmente sentadas conversando, e ele não deixa a tensão cair em nenhum momento. Sem dúvida alguma, tem algumas das melhores personagens que Tarantino já criou, Aldo Raine, Hans Landa e Shosanna Dreyfus vão ficar para a história. E falando em Hans Landa, como posso deixar de mencionar talvez o melhor trabalho de atuação do ano, e uma das premiações de melhor ator coadjuvante mais manjadas da história, não só do Oscar, de todas as premiações que ele concorrer. Christoph Waltz vai ganhar tudo, e vai merecer tudo que ganhar, porque ele criou simplesmente a personagem de 2009 que vai mais perdurar durante os anos que estão por vir. Incrível filme, com uma grande trilha sonora, e um filme que te deixa perplexo e te dá uma grande vontade de começar a assistir novamente na mesma hora.

1# Up – Altas Aventuras (Up, Pete Docter e Bob Peterson):

Lembra quando eu disse que Bastardos não é um filme perfeito? Bom, Up é um filme perfeito. Eu já vi duas vezes e não consigo achar um simples defeito. É Pixar né, um dos melhores estúdios de cinema do mundo, mas eu ainda defendo com unhas e dentes que esse é o melhor filme deles até agora, até mesmo superando Wall-E. É uma das maiores montanha-russas emocionais que eu vi em um bom tempo, o filme não passa 5 minutos sem ou te deixar profundamente emocionado ou te fazer morrer de rir. Um dos roteiro mais criativos que a Pixar já fez, quero dizer, como diabos nós poderíamos prever o aparecimento dos cachorros falantes? Os personagens estão entre os mais adoráveis que já foram criados por esse estúdio, e esse é sem dúvida, mesmo que você não concordo com melhor, o filme mais engraçado que eles já construíram. As reclamações principais que eu reparei quando pessoas criticavam esse filme é sobre o vilão um pouco fraco, mas eu penso que essa é só uma forma de ver, quando o que me parece ser realmente o antagonista dessa história é a aventura em si, a busca pelo lugar das cachoeiras, e o velho explorador seria mais um dos obstáculos dessa busca. Há tempo que eu acho que a Pixar merece mais reconhecimento não entre os melhores filmes do ano, não só entre as melhores animações, e esse ano fico muito feliz que isso finalmente esteja acontecendo, com o Oscar aumentando seus indicados a melhor filme para 10, fazendo de Up a segunda animação da história indicada à essa categoria. Filme maravilhoso, não deixem de ver por nada.

Aí estão. Sei que 30 filmes é muito, mas eu realmente gostei de muitos filmes esse ano. Tenho certeza que ninguém vai ter uma lista igual à minha, e isso que é tão legal sobre lista, cada um pode expressar sua opinião sem ninguém precisa estar errado. Que 2010 seja um grande ano para o cinema.

9 Comentários leave one →
  1. rovs permalink
    21/02/2010 20:12

    depois comento melhor, mas eu tbm achei “the lovely bones” LINDO!

  2. Darshany L. permalink
    22/02/2010 1:27

    Arraste-Me Para o Inferno: não vi e nunca verei.

    Atividade Paranormal: fiquei 2 semanas dormindo com a tv ligada. odeio terror, confesso. mas confesso também que o filme é bom. se eu gostasse do gênero e ele não me afetasse emocional e psicologicamente, eu diria que o filme é um dos melhores.

    Coraline e o Mundo Secreto: não vi, mas quero.

    Eu Te Amo, Cara: não vi, mas quero.

    O Fantástico Sr. Raposo: não sabia desse filme, fiquei querendo ver agora.

    Férias Frustradas de Verão: não sabia desse filme

    A Fita Branca: verei no cinema.

    Harry Potter e o Enigma do Príncipe: achei legal, mas decepcionante. Esse e o Prisioneiro de Azkaban foram os que mais me decepcionaram, principalmente em relação à história. Entendo que as adaptações precisam cortar detalhes, mas achei que nesse filme foi exagerado. Coisas que no livro são momentos extremamente importantes, no filme passa despercebido.

    Julie & Julia: verei no cinema.

    Mary e Max: não conhecia

    Preciosa: verei no cinema

    Se Beber, Não Case!: ok, estou completamente louca pra ver.

    Sherlock Holmes: “acho que tinha algo com a Madonna que estava diminuindo a qualidade do trabalho dele.” concordo plenamente! e com todas as suas palavras.

    Vigaristas: perdi no cinema, fiquei triste. mas ainda verei.

    Watchmen: gostei bastante, estética impecável.

    Lunar: não conhecia.

    Anticristo: acho que nunca verei. talvez.

    Avatar: sem dúvidas, esse filme é impecável no que diz respeito à direção de arte, e a história é sim divertida, apesar dos clichês. mas já virou clichê criticar clichês, então acho que esse não é um verdadeiro problema no filme. só me irritou o fato de o globo de ouro se deixar levar e o considerar como melhor filme. odeio quando um filme é muito esperado, e quando vemos, é muito bom, mas existem melhores, mas ainda assim essa expectativa influencia nos premios.

    Um Olhar do Paraíso: verei no cinema. li críticas duras sobre, principalmente no twitter. mas não consegui acreditar em nenhuma delas.

    Zumbilândia: talvez eu veja. e juro que achei que fosse o michael cera na foto, antes de ler! hahahaha

    Distrito 9: verei.

    Um Homem Sério: verei.

    Onde Vivem os Monstros: PORQUE nao estreiou nos cinemas capixabas? pqpqpqpqpq? louca pra ver.

    Star Trek: não vi, mas pretendo ver em breve. #jjabrams

    Educação: verei.

    Guerra Ao Terror: não conhecia.

    500 Dias Com Ela: me odeio por não ter visto ainda. me odeie também.

    Amor Sem Escalas: depois de Juno, não duvidava de que esse seria um ótimo filme.

    Bastardos Inglórios: nada a dizer além do que você disse. minto: eu achei perfeito.

    UP: não vi, e quero ver. mesmo que o velhinho me lembre meu ex chefe no estágio mais traumatizante do mundo. hahaha

  3. Darshany L. permalink
    22/02/2010 1:30

    Consideração final:

    Acho que só não sou tão viciada que nem você, porque ainda resisto a baixar filmes. Acho mágico ir ao cinema, ver na tv e locar. hahaha
    Em compensação, faço isso com séries.

    ps.: tantos filmes que eu não sabia da existência :/

    • 22/02/2010 2:40

      Quando é um filme que eu estou esperando muito, e não vai demorar tipo, mais de 6 meses pra sair aqui, eu espero pra ver no cinema, igual eu fiz com Bastardos e Lovely Bones. Mas quando é filme que eu ouvi falar muito bem mas não tinha muitas expectativas ainda, eu acabo baixando mesmo. =P

  4. rovs permalink
    23/02/2010 0:43

    tem muitos filmes aí na lista que eu não vi ainda, mas acredito que sejam bons (pelo menos alguns).
    mas eu concordo total com UP em primeiro lugar. podem falar o que for, mas a história é linda, foda, demais!!! a gente realmente consegue entrar dentro do filme e se identificar com as personagens. poucas animações me emocionaram tanto… e UP com certeza é a primeira que me fez chorar :~ MUITO! toda vez que eu assisto!!

  5. 08/05/2013 23:54

    boa lista. Poe gentileza visita meu site http://www.omegadownload.uni.me/
    Grata

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