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Review: Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

24/03/2012

Chegamos então à estréia de um dos filmes mais esperados do ano, particularmente muito esperado por mim inclusive, o que me deu a força de vontade suficiente para ressuscitar esse blog. Não conheço essa série de livros a tanto tempo assim, mas tive oportunidade de ler o primeiro e o segundo livro da trilogia no mês passado, já antecipando a grande estréia do filme. Lendo os livros eu entendo perfeitamente como eles viraram esse grande fenômeno (escrita muito semelhante à da desconhecida série chamada Harry Potter), e certamente ganhou mais um admirador em mim. Dessa forma eu já declaro que essa resenha terá comparações com o livro sim. Desculpe, mas a vida é assim.

A história de Jogos Vorazes se situa em um país chamado Panem, onde existem 12 distritos e uma capital. Em um passado distante os distritos se revoltaram contra a opressão da capital, e foram massacrados. Acabada a rebelião, foi criado um símbolo anual com o objetivo de sempre lembrar os distritos de que a capital é sua verdadeira dona. Todo ano um evento chamado jogos vorazes é realizado, onde cada distrito envia duas crianças entre 12 e 18 anos, um homem e uma mulher, para participar dos jogos, televisionados por todo o país, onde todos terão que se enfrentar até que sobre somente um vitorioso vivo. Uma jovem residente do distrito 12 chamada Katniss Everdeen, ao ver sua irmãzinha ser sorteada como o tributo do ano, se voluntaria no lugar dela para participar dos jogos.

Quando eu comecei a ler Jogos Vorazes eu estava esperando uma história basicamente de aventura, mas conforme eu fui prosseguindo, percebi que o conto é em seu núcleo uma história de ficção científica. E o filme funciona muito bem como tal. Ele apresenta um mundo interessante e obviamente inventado, mas a partir de uma sequência de eventos e visões completamente relevantes ao mundo em que vivemos. É curioso como Gary Ross construiu essas duas partes do mundo, a barreira cultural entre os distritos e a capital, coisa que é tão enfatizada no livro.

Acredito que tenha sido uma coisa muito boa manter Suzanne Collins, a escritora dos livros, tão envolvida no processo todo. Ela não só entrou como produtora executiva, mas também trabalhou em conjunto com os roteiristas para adaptar a história. Ninguém melhor para manter uma certa fidelidade com relação a construção de personagens amados por tantos quanto a própria pessoa que os criou. Fidelidade essa que é invejável aqui, comparando com outra tantas adaptações de livros que são produzidas anualmente. E mesmo com as pequenas adaptações de história (absolutamente necessárias para transformar o livro em um filme), nenhum ponto importante é perdido.

No momento em que eu terminei de ler o primeiro livro, já sabendo das escolhas de elenco, eu não poderia ter ficado mais feliz. Não consigo imaginar uma Katniss melhor do que Jennifer Lawrence, e não consigo imaginar um Peeta melhor do que Josh Hutcherson. Além deles, destaco Woody Harrelson e Elizabeth Banks como as grandes presenças do filme. Por outro lado temos também a primeira decepção do filme (que eu não sei se é muito uma decepção, já que eu não esperava nada impressionante) que é com relação a apresentação de Cinna, uma das minhas personagens preferidas do livro, interpretada por Lenny Kravitz. Acredito ser a atuação mais fraca do filme, em uma personagem que eu considero razoavelmente importante.

Até admito que Gary Ross em certos momentos pode ter perdido algumas oportunidades de tornar o filme mais impactante, mas isso diminui pouco o nível de entretenimento do filme, uma vez que ele acerta muito mais do que erra, tendo uma direção muito segura do começo ao fim. Ele também usa de câmeras “na mão” pelo filme inteiro, o que se torna um recurso muito interessante para a história, mas usado em excesso uma vez ou outra.

Apesar disso tudo, o maior problema de Jogos Vorazes é o seguinte: Katniss é uma personagem muito bem construída, e o conjunto do trabalho realmente faz com que você se importe com ela e torça por ela, o que é um fator muito importante para qualquer filme, porém ela não transmite toda a compaixão e todo o coração necessário para uma maior conexão emocional dos espectadores. O grande responsável por isso no livro é Peeta. E no filme, embora nada disso seja culpa de Josh, a personagem perde um pouco de sua força, de sua convicção, e das nunces de sua personalidade, o que de certa forma prejudica a humanidade da história. Que é o grande fator que Peeta traz para o livro, a humanidade.

Considerando o filme como um todo, eu diria que é um grande feito, com defeitos tão sutis que eu ainda assim recomendaria que todos corram para a sala de cinema o mais rápido possível, com grande convicção que vocês vão gostar.  Esse é um grande exemplo a ser seguido sobre com quanta seriedade tratar uma franquia popular.

Nota: 9,0 de 10,0

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